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Feito no Brasil: Atelier Adriana Ciasca

29.Jun.2018

Jóias que transmitem e celebram histórias, as peças do atelier agora abraçado por Júlia Ciasca são resultado de uma entrega cheia de amor e sutileza esculpidos em cada superfície. 

 

Martelo e lixa tomam conta da bancada, que ainda estampa algumas peças esparramadas e, se tivesse vida, estaria ali só esperando para assistir aos movimentos que estão para acontecer. A transformação do material bruto em ferramenta de expressão. Em arte para vestir e comunicar, transmitir uma história. Se houvesse uma maneira para descrever o trabalho feito no atelier Adriana Ciasca, criado pela própria Adriana e hoje comandado pela Júlia, sua filha, após o falecimento da mãe, seria uma narrativa próxima a essa. Próxima, mas que ainda não dá conta de explicar tudo e de mostrar o porquê cada joia produzida nesse atelier é tão ímpar.

 

A Adriana chegou com sua alegria e delicadeza peculiares até a Santa em 2014, quando uma grande amiga em comum fez a sugestão da parceria. Uma feliz coincidência é que a Cris, nossa gerente, já conhecia a Adriana de tempos atrás, quando as duas trabalharam juntas em uma loja. A sinergia foi imediata mas não apenas por isso: as peças e o conceito da marca dialogavam com a proposta que a gente carrega no peito, que é produzir moda atemporal, justa e valorizando a economia local. A partir daí, pronto: a gente não se largou mais!

 
 

Além de ser uma marca alinhada à sustentabilidade e que constrói um trabalho com propósito e significado na prática, a Adriana Ciasca nasceu e vive do artesanal, do que é feito à mão e de maneira exclusiva, personalizada - que valoriza o pequeno produtor e estimula essas relações. A matéria prima escolhida para receber os desenhos e escritos e que se transforma em joias nas bancadas do atelier também é pensada de maneira consciente, enxergando o upcycling como fundamental no processo de produção: o ouro e a prata utilizados são reciclados. São correntes, braceletes, brincos, anéis e o que mais a imaginação permitir desenvolvidos de maneira personalizada e permitindo uma relação de empatia que dá a chance de cada cliente ser parte do processo de criação.

 

 

Processo criativo


Muitas das peças são criadas do zero pela Júlia. Outra grande parte das ideias, segundo ela, vem de quem chega até o atelier - seja pelas redes sociais, seja pelas vitrines. "Essa ideia das plaquinhas de coordenadas geográficas por exemplo foi meu primo que veio com a ideia. Ele namora uma menina de Dubai e queria fazer uma aliança com as coordenadas geográficas de lá. Gostei da ideia, fiz pra ele e comecei a fazer outras, e as pessoas começaram a gostar. Então isso acontece muito. Também crio bastante a partir de livros que eu leio, músicas que escuto, esse tipo de coisa. E vou adaptando os escritos ao que as pessoas buscam, ao que faz sentido pra elas, sabe", diz.
 

 

A Júlia é formada em Literatura, e acredita que mesmo a empreitada na joalheria não tendo acontecido dentro de um plano, foi a melhor coisa que poderia ter se colocado no seu caminho. "Eu sempre gostei do atelier mas minha mãe nunca quis que eu me envolvesse com ele porque dizia que eu deveria ter um trabalho de verdade, estudar. Mas eu sempre gostei de artesanato, assim como eu gostava das matérias da escola, de literatura. Hoje eu acho que tem tudo a ver a literatura com a joalheria. Porque ambas são maneiras de você se expressar", explica. "Como eu me considero aprendendo ainda, muita coisa que minha mãe fazia eu repito. Tudo são fases. Eu pego uma peça muito antiga e faço igual, mudando uma coisinha ou outra. Minha maior referência é mesmo minha mãe", conta.

 

 

A história dentro das histórias: um legado de amor, amizade e autodescoberta

 

Em 1997 a Adriana descobriu um câncer de mama, que foi tratado e havia sido aparentemente curado. A doença, no entanto, teve idas e vindas e em 2014 ela descobriu uma metástase no pulmão, que deu início a um longo processo de quimioterapia. "Me lembro que teve um dia em 2016 que ela decidiu que levaria a vitrine da Santa embora. Porque não dava mais, ela não tinha mais pique. Aí a Gabi não deixou, disse que a vitrine fazia parte da loja e que ela só faria peça quando pudesse, mas que não queria tirar a marca lá de dentro. Isso foi tão importante. As meninas deram muito apoio pra gente", lembra Júlia.

 
 
Foi nesse período que ela conversou de novo com a mãe e disse que queria ajudá-la com a joalheria. "Meu dia a dia era muito flexível. Eu estava fazendo pós na Unicamp mas são pouquíssimas disciplinas e no restante eram trabalhos freelancer mas que eram também flexíveis. E me dava muito mais prazer usar meu tempo para ficar com ela, levar no médico, almoçar junto. Eu não seria feliz se tivesse passado esse período numa empresa entrando às 08 da manhã e saindo no final do dia", observa. Com o passar dos meses a Adriana foi aceitando a ajuda da filha no atelier cada vez mais - e começou a gostar do que estava acontecendo, porque via que a filha estava feliz fazendo aquilo. E o que mais pode deixar uma mãe feliz do que isso? Foi assim que em janeiro de 2018 as duas reformaram o atelier, que fica na casa da família em Valinhos, e colocaram duas bancadas, para trabalharem uma ao lado da outra.
 
 

 

A Adriana faleceu neste ano e recebeu inúmeras manifestações de amor. Muitas delas estampadas nos pescoços e pulsos de clientes, nas jóias de design inconfundível, acompanhadas de mensagens de gratidão. Essas manifestações chegaram também até a Júlia, que resolveu continuar o legado da mãe. Mais do que um legado profissional, é uma herança de amor e de amizade de duas pessoas unidas por laços que podem até ser invisíveis mas se tornam palpáveis. E materializados em um trabalho que a gente tanto ama - e que faz a Júlia tão realizada. "Eu fico feliz de termos tanto tempo juntas e ela ter me ensinado tanta coisa.É um trabalho que me dá muita alegria e um jeito que eu encontro de deixar ela viva. Fazer as peças que ela fazia é algo que faz muito sentido pra mim. Finalmente. Nunca um trabalho me deu tanta felicidade".

 

#feitonobrasil #madeinbrazil

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